quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Um Quadro


Um Quadro

Diante de um quadro
revejo meu passado
naquelas colinas
da minha infância

A sua beleza rara
a sua perfeição
emociona meu espírito
quando era criança

Tantos anos se passaram
meu Deus
só recordados
através daquela pintura

Todos os visitantes
passavam naquela galeria
com certa indiferença
enquanto eu ali ficava

Como se fosse
o baú das minhas recordações
minhas lágrimas caíam
de emoção daquele tempo

Hoje sou um estranho
quando minha mãe
ali via
com minhas brincadeiras

Hoje
voltei àquele tempo
com meus pais vivos
e a perfeição daquele quadro

Despertei
quando avisaram
que a galeria ia fechar
voltei à rua como um vagabundo.

Pedro Valdoy

Ilusão


Ilusão

A ilusão coberta de anémonas
sentia-se triste só
no recheio do mundo
por vezes silenciosa

O brilho de uma estrela
chorava talvez iludida
na humanidade cósmica
na perdição dos tempos

As pessoas sentiam-se iludidas
por factos enganosos
na mentira nua cruel
de uma atmosfera pesada...

Pedro Valdoy

Decisão


Decisão

Na decisão do indeciso
cavalga o deciso

Mas sem ciso
gira a decisão

Se a decisão é decisão
fica o indeciso mesmo indeciso

Mesmo estando indeciso
onde o ciso fica não sei

estou deciso ou indeciso
mas sem ciso fiquei eu...

Pedro Valdoy

A Perenidade no Amor


A Perenidade no Amor 

As palavras
escritas no vento
são folhas de amargura
São flores de amor
levadas suavemente
trespassadas pelo meu coração
que sente por ti
uma brisa
de amor e ternura

As palavras
trespassadas pela chuva
são gotas de sangue
que meu coração chora
pela tua ausência
desconhecida
na minha solidão
até ao pôr do Sol
e então o amor ressurgirá.

Pedro Valdoy 

é algo


é algo

algo de disforme
se desfruta numa neblina incerta
sem contornos  sem traços
que se observam através de séculos
infindos indecisos

algo surge
através do meu pensamento
arrastado silenciado
por conceitos irreflectidos
por algo incerto
sem nexo nem fim

são palavras de silêncio
na floresta do amor
como algo dum rumor
na fantasia dos tempos…

pedro valdoy

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Dois Cântaros


Dois Cântaros

Na fonte velha do meu bairro
passeavam os cântaros
e regalavam-se 
com a doçura da água

Cântaros grandes ou pequenos
enchiam enchiam
com sofreguidão e amor
por vezes dançavam

Eram cântaros especiais
um pouco surrealistas
em especial aqueles dois
velhos amigos certamente

Diziam que a vida estava má
cada vez havia menos água
e os impostos aumentavam
era cá um sacrifício...

Pedro Valdoy

Rua


Rua

Vou pela rua
na incerteza da vida
por espaços incólumes
Vagueio na macieza do chão

A Lua impaciente
desliza na serenidade
de um vagabundo
perdido no caminho

Sigo em contraste
na ternura do amor
por ti escondido
na falésia do esquecimento.

Pedro Valdoy

A grandeza do Oceano


A Grandeza do Oceano

O oceano é a grandeza
de uma nuvem caída do céu
através de lágrimas derramadas
pelos nossos corações

É a esperança
que um dia o amor
seja eterno
e envolva dois namorados

São vagas de calor
por esses mares fora
no sal das intempéries
cobertas de flores

O oceano é a aceitação
no final dos rios
que desabam selvaticamente
depois de muito desespero

É o carinho de uma criança
na ingenuidade da sua infância
coberta de sonhos
na perenidade dos tempos.

Pedro Valdoy



Uma Flor



Uma Flor

A flor vencida
derrama suas pétalas
no teu regaço
por amores incompreendidos

A nuvem sonha
teus delírios
na incapacidade do ser
de um véu transparente

O portal do amor
ergue-se na vaga
silenciosa de um desejo
na estranheza    no delírio

São bocejos de namorados
através das algas
de um mar sereno
a beijar o teu corpo.

Pedro Valdoy

Discriminação


Discriminação 

Se o céu é azul
as nuvens brancas
as folhas verdes
as flores de mil e uma cores
para quê a discriminação?

Se há cães de várias cores
e outros animais
também
para quê a discriminação?
entre os seres humanos

O arco-íris
tem várias cores
uma maravilha

Então
juntemos um europeu
um africano
um chinês
um indiano
e nesta panóplia
de cores
vamos todos sorrir
em paz.

Pedro Valdoy

Choro de um Palhaço


Choro de um Palhaço

Sou palhaço
talvez da vida
faço rir as crianças
mas com quantas dores
de um passado triste

Sou um palhaço resmungão
no palco da crueldade
minhas lágrimas
são de pedra

Quando represento
no circo da vida
pareço feliz
como fingidor sou

Sou adorado pelos poetas
que me compreendem
com suas rosas
de ouro

Mesmo nas ruas
vem a saudação
de todos os inocentes
enquanto eu sonho

Por vezes
meu pensamento vagueia
por entre as estrelas
e a felicidade sorri

Perdido ando
pelo firmamento
por entre as rosas
de um jardim da magia

Agora perdido continuo
onde só a Lua
me compreende
e então sorrio para ela.

Pedro Valdoy

Olhos


Olhos

Olhos que olham
em plenas planícies
de flores abertas
com o brilho das estrelas

Vi-te então esplendorosa
nos céus do amor
numa cor brilhante…

Como lírios solitários
teus olhos sedentos
nas planícies do amor
num deserto sedento

Por entre os gladíolos
teus olhos brilhavam
na eternidade serena
de um desejo esperado…

Pedro Valdoy




Guitarra


Guitarra

A guitarra dedilhada
chora a minha sina
a sina de um poeta
perdido na vastidão do Universo

A voz do fado
rodeia meu ser
nas paredes da sala
imensa para tamanho som

A voz entoada
no calor do público
sente-se no silêncio
de uma paz sofredora

Os sons atravessam
minha alma
perdida e esquecida
no meio da solidão

O choro da guitarra
cessa na imensidão perdida
e os aplausos sentidos
calam minha solidão.

Pedro Valdoy

Vagabundo


Vagabundo

Sinto-me vagabundo
nos percursos da Lua
por esse mundo fora
perdido no espaço

Sinto-me só por veredas
cobertas de gente
A inocência ultrapassa
Meus passos perdidos

Sinto-me poeta
a dissertar sobre o Universo
com o seu colorido estranho
sorrindo para as palavras mágicas

São facetas através de mares
com o colorido das ondas
saltitantes através de naus
perdidas na tormenta

Sinto-me um marinheiro
a levantar as velas
na tranquilidade do mar
das sete partidas

São rotas desconhecidas
através de continentes
com o sorriso de uma criança
com a sua infância encontrada

É o encontro de alguém
com abelhas a rodearem
o meu jardim florido
de anémonas e lírios

São nenúfares com o seu odor
numa tarde de calor
em plena noite suave
de um passado perdido

Sinto-me leve 
na frescura da aragem
por caminhos inertes
na solidão de um poeta.

Pedro Valdoy

Beijos


Beijos

Beijos ternos eternos
na vanguarda do amor
por entre o delírio
de uma paixão louca

Sinto a ternura a beleza
como flores aromáticas
que rodeiam teus lábios
colados aos meus

Na gentileza de uma mulher
sedenta sensual
estremece meu coração
por entre as nuvens leves.

Pedro Valdoy