terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Hoje

Hoje

Hoje e só hoje
te encontro no caminho
coberto com a brisa do mar
com as nuvens a bailar

Hoje e só hoje
reencontrarei um amor
esquecido e relembrado
para um futuro feliz

Sim porque só hoje
regressaste da Primavera
recheada de flores
com o cantar do rouxinol

A esperança renovará
o passado que caminha
com a tua presença
para um mundo inolvidável

São passos receosos
à beira mar
com o beijo das ondas
na praia do prazer

Finalmente só hoje
vieste vestida no silêncio
de um azul marinho
a caminho da eternidade.

Pedro Valdoy

Longa Caminhada

Longa Caminhada

Na longa caminhada
soavam os passos do ermita
sonhava com Deus
entrevia o Diabo

Erguiam-se os caminhos
por areias na ardência
de sapatas de veludo
nos caminhos pedregosos

Eram as trevas
sem a sonolência
do deserto pardacento
por pensamentos serenos

No isolamento das areias
trespassavam os raios solares
no calor da tempestade
da areia perdulária

Sem vintém sem fome
erguiam-se no horizonte
montes de saibros
para um sacrifício remoto.

Pedro Valdoy

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Sentimento de um Sonho

Sentimento de um Sonho

Sonhos da natureza
atravessam planícies
com o sopro da vida
no desejo da liberdade

Os sorrisos entrevêem a vitalidade
como asas dos rouxinóis
na brisa da liberdade
na suavidade de uma estrela

sentir as nuvens
como uma águia
livre suave
no correr do tempo

Pôr um desejo 
no sentimento infantil 
sorridente alegre 
de uma névoa ligeira

Por entre a honestidade
a sinceridade a humildade
no reino dos sentimentos
a dealbarem sobre um país.

Pedro Valdoy

Borboleta

Borboleta

Por entre os campos
Cobertos de flores
Voa a borboleta
Com sua elegância
Sua beleza
Num Universo de ferocidades

Senti-a bater na minha janela
Com toda a sua leveza
Fui abrir
Então entrou como uma rainha
Pousou no meu ombro
E um cântico entoou com grandeza

Uma luz brilhante
Vindo do Universo
Aproximou-se da minha janela
E entrou
Rodeou a borboleta
E um estalido soou

Deu-se o milagre
No lugar de uma borboleta
Surgiu uma princesa
Coberta de cetim finíssimo
E então só então
Beijou-me profundamente

O amor confundiu-me
E desejei-a para todo o sempre
Unimo-nos em êxtase
Momentos inesquecíveis
Rodearam meu corpo
Seria um sonho?

Ainda hoje ando confuso
Quando despertei para a realidade
Senti-me despedaçado
Com sonho tão belo
Num desespero dei um grito
E senti-me só com o pesadelo da solidão.

Pedro Valdoy

No Calor da Noite

No Calor da Noite

No calor da noite
gotas sonolentas
do suor do meu corpo
trespassam letras
de um livro

No chocalhar
das horas doentias
revejo velhos poemas
numa sofreguidão
que existe em mim

No suor da Lua
pingos de uma sede
suculenta  vadia
mergulham no seio
de um amor perdido

No meu ser lágrimas
de desejo
invadem
a nudez de uma mulher
de olhos pestanejantes

Acordo na sonolência
de uma noite em brasa
num luar sorridente
perante dois seres
que se amam fervorosamente.

Pedro Valdoy




quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Um Quadro


Um Quadro

Diante de um quadro
revejo meu passado
naquelas colinas
da minha infância

A sua beleza rara
a sua perfeição
emociona meu espírito
quando era criança

Tantos anos se passaram
meu Deus
só recordados
através daquela pintura

Todos os visitantes
passavam naquela galeria
com certa indiferença
enquanto eu ali ficava

Como se fosse
o baú das minhas recordações
minhas lágrimas caíam
de emoção daquele tempo

Hoje sou um estranho
quando minha mãe
ali via
com minhas brincadeiras

Hoje
voltei àquele tempo
com meus pais vivos
e a perfeição daquele quadro

Despertei
quando avisaram
que a galeria ia fechar
voltei à rua como um vagabundo.

Pedro Valdoy

Ilusão


Ilusão

A ilusão coberta de anémonas
sentia-se triste só
no recheio do mundo
por vezes silenciosa

O brilho de uma estrela
chorava talvez iludida
na humanidade cósmica
na perdição dos tempos

As pessoas sentiam-se iludidas
por factos enganosos
na mentira nua cruel
de uma atmosfera pesada...

Pedro Valdoy